quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

III -  Receita do fracasso.

Meses se passaram e eu começei a ficar mais confortável com a idéia de que viver solteiro sim, sozinho também era aturável. Consegui começar a esquece-la á tal ponto que o coração só palpitava de vez em quando. 
Com 16 para 17, veio a fatídica. Minha primeira crise depressiva, tentativa de suicidio, a desesperança e a falta de alternativas aos meus olhos me fizeram tentar dar cabo da minha vida, após anos de auto cobrança e me sujeitado á ser uma bomba de felicidade para outras pessoas. Junte isso com a falta de amigos e baixa auto estima, ser motivo de chacota por ser diferente e temos uma merda prestes a voar. No meu caso se pendurar pelo pescoço. Tudo me dava agonia, tudo era tão intensamente doloroso. As pessoas jamais poderiam entender o que é cair dentro de si em um buraco oco e negro, frio e silenciosamente gritante chamado depressão. 
Se você nunca teve, imagine-se sonhar que está caindo. Guarde a sensação de pânico. 
Agora imagine estar presenciando o velório de um ente ou amigo muito querido. Guarde a tristeza.
Adicione a ideia de incapacidade de dar a volta por cima e coloque tudo num pacote de baixa auto estima. Sirva em uma cabeça jovem e sem experiências e deixe crescer por um tempo. Está pronto seu suicida adolescente.
Me via tão debilitado que depois de aprender a fazer o nó. pendurei-o e me parecia mais uma rede de descanso que uma dolorosa e triste morte imatura.
Mas como o destino é um palhaço filho da puta, a compulsão alimentar que se desencadeara junto com a depressão me fez estar bem acima do peso, isto, por sua vez, veio a calhar para o suporte não me aguentar cai em cima de uns livros, tão forte que lembro da dor no cóccix até hoje. Uns anos depois, entre um cigarro e outro rio comigo mesmo pensando: " Fodam-se médicos, a obesidade já salvou minha vida!"
Isso foi no dia 16 de setembro de 2015, ás 01:48. O restante da madrugada a dentro, só conseguia pensar em três coisas: 
1- como eu iria mentir sobre a dor no rabo;
2- Se aquele era o fundo do poço, era melhor que tivesse mola, porque eu quebraria tudo mas sairia; 
3- Eu não tinha nada á perder indo atrás dela. No pior dos casos, eu ja sabia amarrar o nó de uma forca mesmo.

domingo, 26 de janeiro de 2020

II - Primeiros erros

Minha alegria durou pouquissimo tempo.
Dois meses após estar solteiro sim e sozinho também, me perguntei na cama após não aguentar mais ler um livro qualquer: " - Como diabos vou faze-la me notar? Se é que isso seria possível..."
Sorte que o tio Face me deu um repertório de gostos e aptidões, me senti um sociopata-adolescente de 15 anos estudando os gosto da crush amada, no "Projeto @". 
O que mais me encantava era que ela estava alinhada comigo de uma tal maneira, que após conhecer seus gostos (tirando as boy-bands) me sentia mais atraído pela antiga pequena-bolinha. 
Mais alguns meses e eu estava lá, conversando cada vez mais com ela, me esforçava para estar no único local que eu sabia que ela estaria. E como eu amava quando via minha deusa (sim, eu sei que é cafona mais a chamava assim na minha cabeça) entrando pela porta. Devo confessar: As vezes a coitada nem me via por eu morrer de vergonha, mas só de ve-la já era muito bom.
É como dizem: não se fazem mais românticos como antigamente. 
Pois bem, vagarosamente, minha vergonha foi tornando-se menor. A vergonha e distância não pareciam tão sérias, valiam a pena por ela. 
Fui então para a idéia mais lógica na minha cabeça. Chegar como qualquer pessoa normal e puxar assunto? Claro que não, a menina dos meus encantos tinha um amigo emo-cabeludo que, por sorte estudava junto comigo. Não que houvesse uma intimidade entre nós, mas também não eramos estranhos. 
Quando a oportunidade surgiu, fui imbecil igual qualquer pessoa de quase 16, dando uma indireta quase explicitas sobe a intensão com ela. Se me lembro bem foi assim: 
Emo-cabeludo estava sentado na frente de sua sala em uma carteira que alguém colocou do lado de fora. No primeiro intervalo cheguei com uma goluzeima qualquer e começamos a conversar sobre a igreja (eramos da mesma religião) anime e garotas.
Quando o assunto chegou em garotas, tratei de perguntar quais eram as meninas da escola que ele pegaria, como se adolescentes á flor dos hormônios recusariam qualquer tipo de afeto feminino. 
Após uma dúzia de nomes, perguntei sobre as meninas da igreja. Nesta altura já estava preocupado que o nome da minha amada saísse pela boca dele e eu metesse um murro nos córneos do coitado antes de conseguir pensar qualquer coisa mais civilizada. Para a minha sorte, não ele não a citou. 
Era a minha chance, estava com a bola na área e tinha dado uma caneta no goleiro, o zagueiro estava no chão e o juiz não tinha apitado impedimento. Eu e o gol. 
Então, encostei perto dele, olhei pro nada e perguntei com a maior cara de paisagem: " - E a fulana?".
Ele riu e disse que ela, só depois dos 18. Ali era inalcançável para qualquer um que tentasse chegar perto. Que ele era somente amigo, mas já sentira dó de alguns projetos de pretendentes que foram atrás. 
Finalmente o sinal tocou e eu pude voltar pra sala com o rabo entre as pernas, e  claro, as esperanças pulverizadas. Me senti um imbecil por gostar de alguém tão linda. 
Eu tão plebeu e ela nobre, jamais daria, melhor passar para o novo plano A, esquece-la á qualquer custo. 

sábado, 25 de janeiro de 2020

I - Do chão ao céu

Eu a conheci antes mesmo da gente perder os dentes de leite.
Não passávamos de duas bolinhas andando pela igreja como nossos parentes.
Na época me espantei como ela era branca, tipo, muito mesmo. Dava para ver facilmente as veias da sua têmpora á uns 5 metros.
Quem dera fosse só isso. Seus olhos eram tão fechados, fiquei o resto da noite me perguntando se você realmente estava vendo qualquer coisa.
Well... o tempo passou e me esqueci daquela bolinha, digo, menina.
Sofrimentos vieram e foram, desencadeei problemas, venci desafios, iniciei minhas conquistas e lutas diárias da vida. Tudo ia na merda de sempre, como era para se esperar de uma adolescência comum.
Até que veio aquele fatídico dia.
Te vi entrando pelo salão da pequena capela e te reconheci, mas aquela bolinha se tornara uma baita garota. Foi uma missa terrivelmente longa, 3 horas de puro calor na vigília pasqual de 2015.
Tem gente que diz que paixão a primeira vista é algo lindo, maravilhoso. Bom... no meu caso foi terrível, como eu, por trás das minhas 100 milhões de espinhas iria alcança-la?
O plano A era o mais lógico e prático de todos: " - Deixa de ser estúpido e esqueça essa menina. Ela já é muita areia e você ainda nem é um caminhãozinho".
O problema da mentira contada muitas vezes (quando se trata de sentimentos) é que ela não se torna uma verdade. Só suprime aquilo que existe dando tempo para que o sentimento se desenvolva e tome conta de absolutamente tudo. Ao menos comigo foi assim.
É claro que eu não consegui esquece-la. Sempre existiu aquela pontinha de sentimento, aquele incomodo filho da puta, como se algo trancado no "porão do coração" tentasse arrombar a porta toda vez que eu a via.
Após 1 ano de inquietações (e alguns queixos caídos ao vê-la) eu finalmente resolvo assumir para mim que não da mais para ignorar tal ponto. Como toda merda pouca é bobagem, na época eu namorava. Mesmo o namoro estando extremamente frio e ela distante. Me mantive fiel e integro nas minhas ações. Mas não pensar na bendita (para dizer o mínimo) estava ficando impossível.
Houve a gota d'água e o meu primeiro namoro finalmente terminou de ruir.
Achei que iria me sentir triste, mas me senti livre, pois agora não era mais errado pensar na quela garota que antes era uma bolinha extremamente branca.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Dai-me uma pá, para que eu não dê mais trabalho
Me deixe delirar sozinho no meu quarto

Venha, vamos brindar, á ultima ceia
o último encontro
a derradeira

Não quer dizer que eu realmente vá
na verdade, eu não tenho ideia do que virá
mas que venha depressa antes que eu decida cavar

Atrevo-me ainda á ter esperança,
as vezes no fim
as vezes na vida
mas nunca em mim

domingo, 22 de dezembro de 2019

O que é estar em paz?

O desejo de vencer

Que arrasta toda uma massa
Um só vence
Enquanto todo o resto submete-se á sua sádica vontade

É assim desde o começo

Estando cientes ou não
Somos acorrentados aos nossos corpos, crenças, lares, bares
Talvez haja alvorecer
As vezes não
Resta-nos apenas nos acostumar

Em evitar as dores, em nos anestesiar da vida
Meticulosamente afastamos o que nos faz ver nossa infelicidade

Para conseguirmos sobreviver ao cotidiano
As vezes fingimos esquecer nossa própria consciência, que fica lá
Zumbindo nossos erros á fim de nos tornar pessoas descentes.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Quem me dera ter coragem ou até insanidade
Como se fossem muito diferentes entre si

Se ao menos um momento eu pudesse deixar esse sofrimento
e simplesmente rir com bobagens antes de ir 

Isso aqui não tem cara, muito menos candura
e se não basta
Ainda cospem na minha cara
 jugando ter preguiça pura

Aos que quebraram: rápido, arruma!
Aos que não conseguem: inútil, rua!



sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Vai
Estingue meu ser sedento de tudo

Sai 
Da vida com o meu pedido imaturo

Se afasta
Enquanto eu caio para dentro de mim, gritando

Apaga
A luz quando sair da sala do auto-crime

Me deixa 
Em frente o espelho olhando quem eu menos gosto

Vai, sai, se afasta, apaga, me deixa
Sozinho, pedindo socorro em silencio, no escuro do quarto

Eu que já não me importo
Eu nem me vejo mais

Quem sabe assim, no meio dessa dança 
Eu drible a agonia, sorria

E encontre descanso, a paz