I - Do chão ao céu
Eu a conheci antes mesmo da gente perder os dentes de leite.
Não passávamos de duas bolinhas andando pela igreja como nossos parentes.
Na época me espantei como ela era branca, tipo, muito mesmo. Dava para ver facilmente as veias da sua têmpora á uns 5 metros.
Quem dera fosse só isso. Seus olhos eram tão fechados, fiquei o resto da noite me perguntando se você realmente estava vendo qualquer coisa.
Well... o tempo passou e me esqueci daquela bolinha, digo, menina.
Sofrimentos vieram e foram, desencadeei problemas, venci desafios, iniciei minhas conquistas e lutas diárias da vida. Tudo ia na merda de sempre, como era para se esperar de uma adolescência comum.
Até que veio aquele fatídico dia.
Te vi entrando pelo salão da pequena capela e te reconheci, mas aquela bolinha se tornara uma baita garota. Foi uma missa terrivelmente longa, 3 horas de puro calor na vigília pasqual de 2015.
Tem gente que diz que paixão a primeira vista é algo lindo, maravilhoso. Bom... no meu caso foi terrível, como eu, por trás das minhas 100 milhões de espinhas iria alcança-la?
O plano A era o mais lógico e prático de todos: " - Deixa de ser estúpido e esqueça essa menina. Ela já é muita areia e você ainda nem é um caminhãozinho".
O problema da mentira contada muitas vezes (quando se trata de sentimentos) é que ela não se torna uma verdade. Só suprime aquilo que existe dando tempo para que o sentimento se desenvolva e tome conta de absolutamente tudo. Ao menos comigo foi assim.
É claro que eu não consegui esquece-la. Sempre existiu aquela pontinha de sentimento, aquele incomodo filho da puta, como se algo trancado no "porão do coração" tentasse arrombar a porta toda vez que eu a via.
Após 1 ano de inquietações (e alguns queixos caídos ao vê-la) eu finalmente resolvo assumir para mim que não da mais para ignorar tal ponto. Como toda merda pouca é bobagem, na época eu namorava. Mesmo o namoro estando extremamente frio e ela distante. Me mantive fiel e integro nas minhas ações. Mas não pensar na bendita (para dizer o mínimo) estava ficando impossível.
Houve a gota d'água e o meu primeiro namoro finalmente terminou de ruir.
Achei que iria me sentir triste, mas me senti livre, pois agora não era mais errado pensar na quela garota que antes era uma bolinha extremamente branca.
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